10/11/2015 | 14h59

VALE A PENA VER DE NOVO

Os mais abastados podem até ter um destes em casa para “brincar” de piloto de corrida, mas o simulador é destinado aos futuros motoristas. O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) determinou a obrigatoriedade do equipamento nos centros de formação de condutores de todo o Brasil.

Já vimos esse filme. A exigência de uso de simuladores para quem tenta obter CNH de categoria B foi determinada em 2013. Os centros de formação de condutores tinham que disponibilizar o equipamento a partir de 1º de janeiro de 2014, mas o prazo foi sendo adiado até que, em junho do mesmo ano, o Contran decidiu tornar o equipamento opcional.

Com a nova resolução, as autoescolas têm até 31 de dezembro para se adequar à exigência. Será que agora é pra valer? Nunca dá para garantir, mas as chances são grandes. Alguns estados, como o Rio Grande do Sul, mantiveram a obrigatoriedade e os resultados foram convincentes.

A intenção é diminuir o risco de acidentes com quem está tendo os primeiros contatos com a direção de um veículo. Além dos instrumentos do carro, o simulador recria várias situações do dia a dia do motorista, como rodovia com chuva, presença de animais na via e ultrapassagens.

Fica assim, então: o candidato a motorista deve passar no exame teórico e na avaliação médica. Depois, deve fazer treinamento no simulador por no mínimo cinco horas/aula. Somente após essa fase é que a pessoa inicia as aulas em um carro de verdade (mínimo de 20 horas/aula).

É claro que o assunto ainda vai gerar muita discussão. Há quem defenda os simuladores, sobretudo para diminuir a insegurança de quem nunca assumiu o volante de um veículo. Mas a maioria parece ser contra a obrigatoriedade, principalmente donos de centros de formação.
Primeiro pelo fator custo: um simulador pode custar mais de R$ 40 mil.
 Os gastos adicionais são repassados a quem busca sua CNH, ou seja, a obtenção do documento fica ainda mais cara. Segundo pela dúvida quanto à eficácia: para muita gente, os simuladores não dão as noções iniciais necessárias, por mais realistas que sejam.

Na visão de especialistas em trânsito, a má formação de motoristas no Brasil se deve principalmente à falta de aulas práticas — 20 horas/aula (25 com o simulador) não são suficientes. O simulador pode até amenizar, mas não resolve o problema.

Por enquanto, a resolução vale apenas para a categoria B — carros de passeio. Mas o plano do Contran é estender o uso de simuladores para obtenção de habilitação para caminhões, ônibus e até motos.

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