17/12/2015 | 15h23

GUERRA NO TRÂNSITO

Você já deve ter notado que o trânsito na cidade está cada vez mais caótico. Como se não bastasse a falta de infraestrutura adequada ao porte da cidade e a proporção cada vez mais crescente de carros por habitante, ainda não contamos com transporte público de qualidade e o pior, os motoristas estão cada vez mais estressados, cada vez mais irresponsáveis e imprudentes no trânsito. Nesse contexto ficamos todos ainda mais vulneráveis e sujeitos ao aumento do números de vítimas, acidentes e doenças emocionais como a ansiedade e o estresse.
 
Talvez você até já tenha tentado seguir alguma dica ou estratégia para driblar a batalha diária contra o estresse e a ansiedade vivida diariamente no trânsito. Em muitas situações as pessoas culpam o governo, a falta de investimento em infraestrutura e transporte público ou culpam principalmente os outros motoristas e condutores que transformam as vias da cidade em verdadeiros campos de batalha.

Claro que situações desse tipo poderiam levar a população a escolher melhor seus governantes, ou já tendo escolhido, exigir destes mais empenho e responsabilidades com uma questão tão importante como é a questão do trânsito. Todavia, sabemos que nossa população ainda tem dificuldades para assumir tal postura e quando ousa intervir de alguma forma, opta por culpar os governantes – que são escolhidos por nós mesmos – ou culpar as outras pessoas, como ocorre muito no trânsito: a culpa é dos outros motoristas. Na verdade, o que poucas pessoas fazem é, mesmo diante desse caos, chamar para si a responsabilidade por, pelo menos, uma parcela dessa situação.
 
Penso que se cada um de nós abrasássemos nossa parcela de responsabilidade com a questão do trânsito e implementássemos ações individuais em nossos comportamentos em prol do nosso bem estar e em benefício da coletividade, certamente teríamos uma convivência no trânsito bem mais humanitária. Isso porque muitas ações que as pessoas tentam fazer para melhorar a situação crítica do trânsito são ineficazes, falhas e de pouca relevância para a coletividade; (1) culpar os governos e (2) responsabilizar os demais motoristas, por exemplo.
 
A situação é tão grave que basta um semáforo fechar ou o fluxo ficar um pouco mais lento que as pessoas já pensam que o pior vai acontecer. Um dificultador para essa situação é que, cada vez mais, tenho percebido que as pessoas estão com a constante sensação de atraso e, muito por isso, estão cometendo verdadeiras atrocidades no trânsito, ainda que, em tese, discordem de tal conduta.

A lógica para isso seria mais ou menos essa: O trânsito é um território de ninguém. Cada motorista sente-se (e muitas vezes é) proprietário do seu veículo e além de ter posse e direitos sobre ele, paga (e caro) para utilizar as vias, como é o caso do IPVA. Sendo dono do seu veículo, pagando caro para usufruir o direito de usar um território que é de ninguém (e todos são donos ) – as vias – e que os sistemas de fiscalização e controle são falhos; favorece a instalação do caos que conhecemos. Agora vamos imaginar milhares de pessoas com esse raciocínio – consciente ou inconscientemente – em prática pelas ruas da cidade.
 
O resultado desse cenários vemos a cada dia, especialmente nos horários de pico, alto fluxo e rush: pessoas à beira de um ataque de nervos, altos níveis de estresse, muitas buzinas, intermináveis disputas pelas menores brechas onde possa caber um veículo, muita ansiedade, irritação, brigas, acidentes e até mortes.

E isso não fica restrito – em causa e consequência – apenas ao trânsito. Ou seja, não podemos afirmar que tudo começa e termina no próprio transito. Muitas dessas emoções e comportamentos podem sim ter origem e fim nas vias da cidade, porém muitas delas têm origem em outros contextos e encontram no trânsito um espaço para extravasar e depositar angústia e frustrações desencadeadas fora daquele ambiente. O contrário também ocorre com muita frequência: pessoas perdem o controle emocional no trânsito e levam para suas casas, suas relações sociais, afetivas até mesmo profissionais aquele peso emocional do trânsito e terminam cometendo equívocos no trato com as pessoas fora daquele contexto.
 
Nesse cenário, tenho notado que um grande agravante para o caos que está instalado é o fato dos motoristas relatarem como o trânsito atrapalha seus compromissos e como isso interfere no cumprimento de horários e prazos. Esse é um ponto altamente importante, pois atrasos em compromissos e perda de prazos trazem prejuízos imediatos para as pessoas e, logicamente elas procuram evitar estes danos. Pena que as pessoas estão buscando evitar tais prejuízos cometendo um série de equívocos e colocando em risco, suas vidas, seu bem estar e segurança – suas e dos demais motoristas -. Uma nova forma de lidar com a questão de maneira mais adequada, sobretudo privilegiando o próprio bem estar e o bem estar da coletividade presentes no trânsito – especialmente focando em algo que aflige diretamente as pessoas, que é o caso do tempo .
 
 Vale pensar que o efeito disso não se limitaria apenas àquele momento, mas todo aquele desconforto do estresse, da ansiedade, da guerra contra o tempo, da briga por espaço, barbeiragens e tudo mais não a acompanharia após estacionar seu carro. Muitas dessas emoções certamente não seriam experienciadas em função do trânsito e isso traria o principal ganho para a sua vida em função desta ação: você teria efetivamente uma melhor qualidade de vida e estaria livre dessas consequências ruins do trânsito. Agora imagine mais e mais pessoas agindo da mesma forma? Talvez tivéssemos menos problemas ou quem sabe até resolveríamos uma parcela significativa da chamada guerra no trânsito.
 
Bem, se você ja experimentou uma série de coisas e ainda não viu resultado em si ou nos demais, talvez essa seja a hora de começar a fazer algo realmente relevante e simples. Todos que experimentaram essa mudança de comportamento, a partir da orientação psicoterapeutica, têm atingido e gostado dos resultados, além de estarem percebendo melhoras nunca antes vividas. Então, fique a vontade para começar seu experimento, mas não esqueça: Se precisar de ajuda para mudar sua relação com o trânsito, não hesite em buscar ajuda profissional.





 

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