26/08/2013 | 14h36

NUNCA É TARDE

Crônica da Cidade

No próximo dia 31 de agosto deste ano de 2.013, o Prefeito Municipal, José Willame de Fraga colocará na avenida central, no trevo em frente à Praça Santa Luzia, no Povoado Colônia Agrícola do Treze a escultura, de corpo inteiro, de Antônio Martins de Menezes, o fundador do povoado. Nunca é tarde de se fazer justiça. O prefeito Lila Fraga está prestando a homenagem que prefeitos anteriores a ele não cuidaram de prestar. A Colônia Treze pela maioria de sua população que chega à casa de 20 mil habitantes, não conhece quem fundou e povoou o seu povoado. Muitos escreveram sobre a Colônia mas pouco disseram do esforço desenvolvido por “um homem determinado”para transformar uma região que se dizia árida, imprestável para agricultura num campo produtor de alimentos, em condição de suprir o município e exportar para outras regiões.

Tudo começou no distante ano de 1952, do século passado. Toda a extensão do Treze era  coberta por floresta – mata atlântica - acolhedora de animais ferozes do tipo onça pintada e parda. A região era identificada pela denominação de Treze por estar distante 13 quilômetros do centro da cidade de Lagarto. Antônio Martins apaixonou-se pela região e assumiu, consigo mesmo, o compromisso de transformá-la num centro de produção de fumo, mandioca, laranja, maracujá e outros produtos de subsistência. Para alcançar o objetivo comprou terras, dividiu 1.500 tarefas em lotes de 10 tarefas e doou a pequenos agricultores que quisessem produzir e povoar a região. Em 1.952, apenas dois sitiantes plantavam fumo, mandioca e produtos de subsistência. Antônio Martins, rico comerciante de fumo, com depósito e escritório em Fortaleza, capital do Estado do Ceará deu início à colonização do Treze. Escolheu dez chefes de família, seus empregados do depósito de fumo que mantinha no Povoado Sobrado, e os levou para o Treze. A cada um deu um lote de dez tarefas e sugeriu que plantassem fumo, mandioca e produtos de subsistência. Levou os dez pequenos agricultores ao Banco do Brasil e abriu crédito, com seu aval, para comprarem adubos para as plantações e para a construção das casas de morar.

No ano seguinte, 1.953, uma praga de lagarta destruiu, em uma semana, toda a plantação dos colonos. Eles pensaram em abandonar o Treze. Atribuíram ao número 13, o azar de perderem todo o esforço desenvolvido desde o ano passado. Antônio Martins renovou o crédito para replantarem e construírem as casas de morar. Desenhou o modelo das casas e acompanhou a construção. Em 1959 a construção das casas foi dada por concluída. Já não eram dez famílias, mas 150, produzindo fumo, mandioca e produtos de subsistência. O excedente desses produtos era vendido na feira do povoado que Antônio Martins havia implantado.  Os recursos dos produtos vendidos na feira eram destinados à formação de um fundo para atender a uma necessidade emergente.

A Colônia Agrícola do Treze foi batizada com o nome do patrono: Colônia Agrícola “Antônio Martins de Menezes”. Os pequenos agricultores estavam felizes. A Colônia se povoava. Martins de Menezes dizia para eles: a terra pertence a quem planta, colhe e a povoa. Eles pagavam regularmente as prestações ao Banco do Brasil. O modelo de pequenos sítios começou a se tornar conhecido. Outros municípios passaram a copiar. A partir de 1959, chegavam notícias de invasões de propriedades por um movimento chamado “Ligas Camponesas”, liderado por um advogado de nome Francisco Julião Arruda de Paula, pernambucano. Os grandes fazendeiros começaram a se preocupar e os governos estaduais também. A notícia da invasão de propriedades chegou ao governo federal que identificou o problema.

As invasões eram praticadas por pequenos agricultores sem terra. No período, as grandes propriedades, em sua maioria, eram usinas de produção de açúcar. Essas usinas ocupavam imensas extensões de terra, tirando a oportunidade de o pequeno agricultor possuir um sítio onde plantasse produtos de subsistência para consumir, vender e sobreviver. Por lhe faltar um “pedaço de terra”, os pequenos agricultores começaram a migrar para os grandes centros, abandonando o lugar onde nasceram. As “ligas camponesas” invadiam as grandes propriedades para forçar o governo a promover a reforma agrária. Tomar de quem tinha terra demais e dividir com quem nada tinha.

Hoje, mais  de 60 anos do início de sua implantação, o Povoado Colônia Agrícola do Treze tem uma população em permanente crescimento; conta com escolas públicas e particulares, cobrindo os três níveis de ensino – ensino infantil (creche, maternal e pré-escola), ensino fundamental,  médio e superior; dispõe de centro de saúde, funcionando 24 horas/dia; rede de farmácia, supermercado, academia de ginástica, uma feira aos domingos, comercializando a produção local de alimentos, duas igrejas católicas e três evangélicas. Sua população é vaidosa e bairrista, por viver num lugar que lhe oferece todas as oportunidades de crescer mais. Esta comunidade foi construída com o esforço de um homem que até hoje, não tinha merecido, o reconhecimento necessário dos governantes de Lagarto. O Prefeito Lila Fraga resgatou o mérito devido a este bandeirante, desbravador do desconhecido, colocando a escultura de corpo inteiro, de Antônio Martins de Menezes, num local onde a população poderá visualizá-la e perguntar de quem se trata. Por certo, quem vier a perguntar, será informado que se trata de Antônio Martins de Menezes, rico comerciante de fumo que morreu pobre por doar o que tinha a quem não tinha, contanto que transformasse a Colônia Treze “num lugar bom para se viver”.

A historiadora Maria José Lopes dos Santos, filha da Colônia Treze, disse em sua obra acadêmica intitulada: “Os primórdios da Economia da Colônia Treze”, fazendo justiça ao seu fundador:

-A ocupação desta região, considerada imprestável para a exploração agrícola, partiu da iniciativa de um homem determinado (Antônio Martins de Menezes) em fazer daquelas terras um negócio rentável, promovendo o surgimento de um modelo de colonização que viria a ser seguido por várias outras comunidades do Estado de Sergipe. Ela acrescentou:

-Em razão do empenho, determinação e ousadia de enfrentar crises do seu fundador, a Colônia Agrícola do Treze tornou-se um exemplo de união e determinismo dos produtores rurais. Através de doações de pequenos sítios, Antônio Martins de Menezes fixou o homem na terra e cumpriu importante tarefa em prol do desenvolvimento da comunidade. Os colonos tinham um único compromisso: fazer da Colônia um lugar bom para se viver.

Decorrido pois, mais de uma metade de século, cumpriu-se a profecia da historiadora Maria José Lopes dos Santos: a Colônia é este lugar.

 

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