siga nossas
redes sociais:
FacebookTwitter

Sindicato recebe denúncias sobre problemas na alimentação escolar

28 de Maio de 2018, 11:15

O SINTRASE tem recebido, desde a última semana, denúncias de servidores sobre a má distribuição dos alimentos dentro das escolas estaduais. Além das queixas rotineiras sobre o tipo e a qualidade dos produtos oferecidos, a alimentação diferenciada entre estudantes dos sistemas regular e integral de ensino tem gerado muita insatisfação. Segundo apuração do sindicato, em visitas realizadas em escolas da capital e interior, o fornecimento de uma alimentação “de qualidade” tornou-se prioridade para os estudantes do tempo integral, modelo recém-implantado em mais de 50 instituições de toda a rede.

Declarando categoricamente que “o que era ruim poderia piorar”, a dirigente sindical, Erika Leite, afirma que há claramente uma “preferência” direcionada aos estudantes do novo modelo. Sem discutir o mérito sobre merecimento – já que todos são estudantes da rede – a sindicalista afirma ter encontrado “lanches simples, de baixo valor nutricional, como biscoitos e sucos de caixa, ou somente uma maçã, sendo oferecidos aos estudantes regulares, quando os alimentos ‘bem preparados’, como carnes e outras proteínas, são oferecidos aos do sistema integral”.

“Não se pode priorizar e segregar alimentação dos estudantes de acordo com os modelos de ensino. Oferecer alimentação diferenciada, em que um grupo tenha acesso a um cardápio inferior em detrimento de outro é absurdo”, declarou a dirigente. “A alimentação escolar é a base que torna o processo de aprendizagem eficaz e por isso, não deve haver qualquer espécie de discriminação entre os estudantes de um mesmo local”, disse. As escolas estaduais visitadas foram a Cel. José J. Barbosa (Siriri), Francisco Rosa, Paulo Freire e Tobias Barreto.

Erika também falou que os alimentos deveriam ser viabilizados através de uma guia de remessa, que é vinculada a cada programa de ensino implantado na escola, mas que em alguns desses casos não encontrou este tipo de documentação específica referente ao ensino integral. “Enquanto observamos que só chegaram produtos da remessa para os regulares, somente os estudantes do ensino médio integral acabaram usufruindo de uma alimentação mais elaborada”, declarou.

Problemas estruturais

A merendeira Fernanda Carvalho, que também é membro do Conselho de Alimentação Escolar, afirma que o impasse na distribuição dos alimentos se dá também por problemas logísticos, falta de estrutura nas escolas e quantidade reduzida de servidores. Lotada atualmente no Francisco Rosa, a merendeira relata problemas com o espaço inadequado na cozinha para realizar as tarefas habituais, acúmulo de serviço e instrumentos precários. “Trabalhamos com um fogão que não funciona direito e não dá conta de preparar os alimentos para a quantidade de alunos da escola. Além disso, só há uma merendeira pela manhã e pela tarde e eu, que trabalho os dois turnos. A noite não tem nenhuma. Um dia desses estudantes se dispuseram a me ajudar na distribuição da merenda porque não tem servidor suficiente para fazer esse trabalho”, denunciou.

“Muitas vezes não há como preparar o alimento porque o fogão é velho, além de haver o gasto com o gás, que é pequeno e precisa ser trocado a cada três dias. O cozimento fica comprometido, sendo oferecidos os lanches rápidos para os estudantes do regular e priorizando o almoço para os do integral”, relatou. “A culpa do mau funcionamento se dá por problemas na estrutura física do colégio e dos utensílios, que não satisfazem a demanda dos estudantes, junto com a falta de mais merendeiras para conseguir finalizar o serviço. Os servidores ficam com as mãos atadas nesta situação”, completou.

Relatórios e denúncias

No último dia 16, o SINTRASE enviou à Secretaria de Estado da Educação (SEED) um relatório sobre os principais problemas enfrentados pelos servidores. Além das demandas citadas, o sindicato apontou outra preocupação da categoria referente ao sistema integral: a ausência de um acréscimo pecuniário aos vencimentos dos servidores que trabalham no novo modelo, que gera, consequentemente, o aumento significativo da demanda de serviço nas escolas.

Esta espécie de gratificação chegou a ser discutida para o magistério, mas não contemplou os servidores da Administração Geral, causando mais descontentamentos entre a categoria. “Nada foi pensado concretamente para os executores, merendeiras, oficiais administrativos e vigilantes como contrapartida às mudanças do governo. O Estado não estabeleceu um percentual ou uma alternativa que gratificasse os servidores da Administração e que estivesse de acordo com o plano de cargos e carreiras (PCCV/AG). Por causa disso, denúncias e reclamações chegam a todo instante ao sindicato, que são potencializadas com o atual déficit de servidores no quadro estadual. As condições de trabalho nas escolas têm se tornado insustentável”, declarou o presidente do sindicato, Diego Araújo.

O SINTRASE está elaborando um novo relatório que será levado à SEED e ao Ministério Público nos próximos dias.

Fonte e foto Sintrase

 

  • Medium c7c71291e3ed410baf87d9efa17ebf52