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A necessidade de novos projetos de recursos hídricos

13 de Março de 2019, 05:20

Enquanto municípios sergipanos sofrem com a seca e a falta de chuva regular existe um projeto engavetado de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Abastecimento de Água do rio Vaza Barris que iria abastecer 9 (nove) municípios caso fosse executado. 

 

Encontra-se na Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos o Projeto Vaza Barris

Necessidade do Projeto de Novos Recursos Hídricos do Rio Vaza Barris

As áreas de abastecimento de água de Lagarto e Itabaiana (sistemas integrados de adutoras do Agreste e Piauitinga) ficam em áreas semiáridas de Agreste e são a segunda e a terceira áreas mais povoadas do estado do Sergipe. Estas áreas são de potencial pobre de recursos hídricos subterrâneo e superficial e têm sofrido da falta da água. A fim de lidar com a falta atual da água e sua crescente demanda, a água subterrânea não é suficiente em quantidade e qualidade, e custa demasiado se a água superficial for transportada de outras bacias do rio, afluentes de recursos hídricos, como por exemplo o rio São Francisco. O rio Vaza Barris tem um potencial grande de recursos de água e fica entre as cidades de grande consumo de água de Itabaiana e Lagarto. Consequentemente, esperou-se desenvolver a água do rio não somente beneficiando os municípios mas também o estado do Sergipe.  

Abastecimento Insuficiente de Água

No estado de Sergipe em 2020, a quantidade necessária da água é estimada para ser um total de 830,000 m³/dia incluindo 547,000 m³/dia de falta de água de abastecimento. Desta falta de água, Itabaiana e as áreas de abastecimento de água de Lagarto (sistema integrado de adutoras de Agreste e Piauitinga) precisam de 129,000 m³/dia (equivalentes a 24%) de água. A população destas áreas é 259,000 habitantes em 1996 ano que foi criado o projeto, e é estimada para ser 540,00 em 2020. A falta de abastecimento de água adequada é um obstáculo sério ao desenvolvimento das regiões mencionadas e cria uma pressão migratória para a capital do Estado, piorando ainda mais os problemas em Aracaju. Consequentemente, é imperativo tentar estabilizar o abastecimento de água para a população muito concentrada, indispensável para impulsionar seu desenvolvimento socioeconômico e para melhorar a qualidade de vida. As consequências positivas espalhar-se-ão pelo Estado, contribuindo para reduzir as diferenças regionais e aliviando a população das pressões socioeconômicas na área de Aracaju.

O professor Sérgio Koide, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília (UnB), explica que o que deflagra o processo da crise hídrica é o clima, mas a falta de planejamento faz com que a margem de segurança entre a oferta e a demanda seja muito pequena. “Com um bom planejamento e com investimentos, você consegue fazer uma gestão mesmo em situações de certa escassez de recursos”, explica. Para ele, o risco de insuficiência de água para o abastecimento ocorre quando o planejamento não é cumprido, na medida que a oferta vai se aproximando da demanda. “Neste caso, é preciso fazer um novo planejamento, com antecedência, e adotar as medidas necessárias, como investimentos em obras, para evitar a falta de abastecimento.”

Desenvolvimento de Irrigação

A terra fértil apropriada para a irrigação estende em torno do lado direito do local de planejamento da barragem. Esta área está situada entre as três maiores cidades do Estado de Sergipe, que são Aracaju, Lagarto e Itabaiana. Isto significa que a área tem uma vantagem com a sua proximidade as cidades de grandes consumidores. Esta área, que é utilizada presentemente como pomares e pastos poderia ser irrigada para aumentar a produtividade e a produção agrícola deveria ser fornecida as áreas da cidade. Este projeto de irrigação promove uma melhoria da produtividade agrícola e a ativação da economia regional.

Objetivos do Projeto

O “Projeto do Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Abastecimento de Água do Rio Vaza Barris – Sergipe (PROVABASE)” é proposto para assegurar uma vida estável aos povos do Estado com o desenvolvimento de recursos de sustentação da água. Os objetivos do projeto são ajustados como segue:

- Fornecer uma água limpa e suficiente para os povos através de uma fonte de água pública.

- Fornecer água de irrigação a terras de potencial agrícola para uma produtividade elevada.

- Desenvolver água de manutenção do rio para o ambiente “riparian”.

Área do Projeto

A Barragem do Vaza Barris e seus dispositivos principais estão situados no curso principal do rio Vaza Barris. A barragem própria é aplanada para ser ajustada perto dos limites entre os municípios de Lagarto e Campo do Brito. O reservatório formado pela Barragem do Vaza Barris estender-se para nordeste até o centro do município de São Domingos. A área a ser fornecida com água pelo sistema de adutoras estendido desde a Barragem do Vaza Barris é de 9 (nove) municípios, estes são: Areia Branca, Campo do Brito, Itabaiana, Macambira, São Domingos, Poço Verde, Simão Dias, Lagarto e Riachão do Dantas.  

Plano de Abastecimento da Água de Irrigação

A respeito do plano de irrigação relacionado ao Projeto da Barragem do Vaza Barris, não está incluído no estudo da Agência de Cooperação Internacional do Japão - JICA(estudo do Projeto da Barragem do Vaza Barris), estão o SEPLANTEC conduziu um estudo de pré-viabilidade para ela. O local proposto para o projeto de irrigação do Vaza Barris está situado no banco direito do rio Vaza Barris no município de Lagarto. O local expande-se ao povoado Sapé no leste do município de Itaporanga, ao povoado Jenipapo no norte do município de Lagarto e ao povoado Brasília no oeste do município de Lagarto, com uma área total de irrigação de 4,519 ha. O solo no local é categorizado principalmente de podzolico amarelo, que tem um potencial para irrigação com elevada fertilidade do solo. 

Obras de Construção

Estava prevista para iniciar a partir de julho de 2002 e deveria estar completa até dezembro de 2003. O projeto envolve a construção de uma barragem de concreto, uma barragem de controle, um canal de derivação de baixa vazão, adutoras, obras de reflorestamento e instalações de irrigação.

Avaliação Social

Aumento de Emprego e ativação da Economia Regional

As obras de construção da barragem, a tubulação para o abastecimento de água para as cidades e o abastecimento de água para irrigação devem oferecer uma nova oportunidade de trabalho para as pessoas desempregadas ou subempregadas da região no próprio setor de construção e em outros setores relacionados. Em geral, mão-de-obra não especializada vivendo na área do projeto, ou em arredores, seria empregada. Segundo o custo do projeto de barragem e do sistema de abastecimento de água para uso doméstico/industrial, os salários a serem pagos para trabalhadores não especializados durante o período de construção devem se elevar a R$ 18 milhões. O montante anual será de R$ 3.6 milhões, o que equivale a 0.7 do PIB regional de 1998 da área do projeto. O efeito seria bem maior se se considerar os salários dos trabalhadores especializados e os salários semelhantes na construção do sistema de abastecimento de água para irrigação. Além disso, o material básico para o concreto como cimento e agregados para a construção da barragem poderia ser obtido na área do projeto, um montante o qual se estima em R$ 30 milhões durante os dois anos da construção. O montante anual de R$ 15 milhões equivale a 3% do PIB regional de 1998 da área do projeto. Assim, este aumento de renda tanto dos trabalhadores como dos fabricantes de material de construção vai produzir um efeito econômico multiplicado na região, o que deve ser refletido positivamente na economia regional como um todo.

Agora necessitamos do apoio do Governo Federal,do governo estadual, dos deputados estaduais, dos deputados federais e dos senadores como também dos prefeitos desses 9 (nove) municípios, através de emendas parlamentares, para a vinda de recursos e, assim, colocarmos em prática esse grandioso projeto que irá beneficiar milhares de sergipanos de 9 (nove) municípios do estado.

Em 1947, já cantava a seca Luiz Gonzaga nos versos de Asa Branca: “Que braseiro, que fornalha, nem um pé de plantação. Por falta d’água perdi meu gado, morreu de sede meu alazão”. Setenta anos se passaram e letra se mostra ainda tão atual quanto no tempo do rei do baião. São os retratos da seca no Nordeste que denunciam a condição de risco em que milhares de brasileiros vivem expostos. Desde os primeiros registros do final do século XV até hoje, a situação parece a mesma: a falta de água continua a queimar o solo de sertão, gerando prejuízos inestimáveis para a população.

Fonte: Síntese do Projeto Vaza Barris

Jenipapo, Lagarto/SE, 12 de março de 2019

 

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