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Senado debate crise hídrica e o futuro das cidades afetadas por estiagens

09 de Março de 2018, 05:59

da Agência Brasil

Especialistas discutiram nesta quinta-feira (8), na Comissão Senado do Futuro, o panorama hídrico do país e a importância do Fórum Mundial da Água 2018. A audiência fez parte de um ciclo de debates para discutir o futuro das capitais e de cidades afetadas pela crise hídrica ou por restrições crescentes no abastecimento de água potável.

Na avaliação do senador Hélio José (Pros-DF), para o país superar a crise hídrica é fundamental preservar as nascentes e mananciais. O parlamentar ressaltou que o Distrito Federal tem enfrentado as consequências de uma crise sem precedentes e, após seis anos de consumo crescente, o cidadão da capital federal precisa rever suas rotinas com o racionamento de água. “Nós precisamos realmente ter um olhar mais acentuado na questão dos nossos mananciais e nossos cursos de água aqui do Distrito Federal”, disse.

Hélio José ressaltou ainda a falta de legislação no conflito entre produção agrícola e as restrições ao consumo da água. “Outro aspecto que não encontramos solução é para o conflito de interesse entre os produtores agrícolas e as restrições governamentais. Há demanda crescente da sociedade por produtos agropecuários, que para serem produzidos, consomem muita água. Ainda nos falta um marco regulatório que preserve a ação empresarial, especialmente da agricultura familiar, e a capacidade de produção de água de nossos sistemas”, afirmou o senador.

Na avaliação do especialista em recursos hídricos da Diretoria de Regulação da Agência Nacional de Água (ANA), Patrick Thomas, as crises hídricas estão se repetindo no Brasil nos últimos anos. Segundo ele, essas crises têm acontecido onde normalmente não se esperava que tivesse estiagem. “A tendência é que essas crises aconteçam cada vez mais e em regiões que não se esperava”, alertou.

Segundo Thomas, os governos têm que se antecipar com medidas de gestão, além de ações estruturais de construção de canais, adutoras, reservatórios maiores, com mais capacidade de armazenamento para enfrentar os desafios com a água e garantir o abastecimento no país.

De acordo com a assessora de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), Raquel Carvalho Brostel, por meio de obras estruturais, a atual gestão aumentou em 30% a capacidade de abastecimento no DF. No entanto, ressaltou, que antes da crise na capital federal que culminou com o racionamento de água para 85% da população, o risco hídrico não era considerado no sistema de planejamento das águas.

“A gente baseava a disponibilidade hídrica e o risco não era levado em conta e assim era planejado o sistema. Isso é uma questão que agora a gente tem que inserir a questão do risco hídrico. Se vai se tornar frequente, nós temos que inserir o risco no sistema de abastecimento de água.

O diretor da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) e coordenador temático do Fórum Mundial da Água, Jorge Werneck, afirmou que a escassez de recursos hídricos “é uma realidade mundial” e explicou como o período de estiagem de chuvas pode provocar um impacto no fornecimento de água.

“Em anos em que temos uma extensão do período seco, temos o rebaixamento muito severo do nível do lençol freático, como o período entre 2007 e 2008, e isso gera uma redução imensa nas vazões dos rios e o que temos observado é que é um fenômeno que não ocorre só no Distrito Federal. Está acontecendo no Cerrado e em boa parte do Nordeste brasileiro”, explicou. “Com a chuva reduzindo, nós verificamos uma redução, e não é linear esse processo, significativa nas vazões dos rios, em função primordialmente da estiagem da chuva”, completou Werneck.

Também participaram da audiência representantes da Companhia de Saneamento de Goiás S.A. (Saneago); da Associação dos Moradores e Amigos de Águas Claras e da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib).

Fórum

O Fórum Mundial da Água deve reunir em Brasília, entre os dias 18 e 23 deste mês, cerca de 45 mil pessoas de 150 países. O evento é organizado no Brasil pelo Conselho Mundial da Água, pelo Ministério do Meio Ambiente, representado pela ANA, e pelo governo do Distrito Federal, representado pela Adasa.

As sete edições anteriores do FMA foram realizadas em Marrakesh, no Marrocos, em 1997; Haia, na Holanda, em 2000; Quioto, no Japão, em 2003; Cidade do México, no México, em 2006, Istambul, na Turquia, em 2009; Marselha, na França, em 2012; e Gyeongju e Daegu, na Coreia do Sul, em 2015. Essa é a primeira vez que o Fórum é realizado no Hemisfério Sul.

Foto Wilson Dias/Agência Brasil

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