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Organização e resistência dão a tônica da Palestra Magna da Semana do/a Assistente Social

16 de Maio de 2018, 07:13

No Dia do/a Assistente Social, 15 de maio, Centenas de profissionais e estudantes de Serviço Social lotaram o auditório do Ministério Público Estadual para acompanhar a Palestra Magna da Semana do/a Assistente Social:  “O Assistente Social em Defesa dos direitos e do trabalho profissional: resistir, ocupar e lutar! Somos classe trabalhadora!”. 

Assistentes sociais da capital e interior e que atuam nas mais diversas políticas públicas prestigiaram o evento. Além da presidente do CRESS Sergipe, Joana Rita, estiveram presente a  presidente do CFESS, Josiane Soares, a coordenadora do Departamento de Serviço Social da UFS, Noêmia Lima Silva, a presidente da FETAM e dirigente da CUT Sergipe, Itanamara Guedes, a presidente do Sindasse, Roseli Anacleto, a coordenadora da Pós Graduação do DSS, Tereza Cristina, além de representantes das Secretarias Municipais de Educação, Assistência Social e Cidadania, entre outros atores institucionais.

A doutora em Serviço Social e docente da pós graduação da UFRJ, Fátima Grave abordou os desafios que a profissão de Serviço Social enfrenta no Brasil e as possibilidades que o assistente social vem encontrando para enfrentar este difícil cenário imposto pela agenda de retrocessos do governo federal. ”Como trabalhadores assalariados que somos, e diante de um contexto de reforma trabalhista, de desmonte das políticas e de toda essa avalanche conservadora que vivemos em nossa sociedade, temos muito o que avançar. Mas como se trata de uma categoria aguerrida e bastante organizada politicamente, há saídas. Precisamos estar atentos aos problemas para buscar formas de enfrentamento”, destacou, ao reproduzir palavras do teórico Antonio Gramsci. “O pessimismo da razão não pode aniquilar o otimismo da vontade”, citou.

Uma das formas de resistência apontadas pela pesquisadora é a organização no conjunto de entidades da própria categoria, a exemplo do conjunto CFESS-CRESS, da ABEPSS e da ENESSO. “Em outros países em que há atuação do Serviço Social, a profissão sequer é regulamentada. Ter organicidade nestas entidades é um passo importante, mas é necessário ir além. É preciso que estes profissionais busquem seus sindicatos, suas organizações de base, os movimentos sociais. É preciso firmar  alianças om outros segmentos da classe trabalhadora que também enfrentam os mesmos desafios e buscam pelas mesmas respostas”, apontou.

Neste sentido, a presidente do CRESS Sergipe, Joana Rita, lembrou que o conselho esteve lado a lado com a base nas lutas e nas ruas, principal palco de disputa do projeto de sociedade defendido pelo profissional de serviço social. “Nossa categoria esteve ao lado dos demais trabalhadores e dos movimentos sociais e protagonizou algumas das principais frentes de luta ao longo das últimas décadas no Brasil. Nos últimos anos não tem sido diferente. O CRESS – direção e base - não deixou as ruas, sobretudo após o aprofundamento da crise gerada pelo golpe e do acirramento da luta de classes”, apontou a presidente do regional.

 “O CRESS Sergipe reflete os anseios da categoria. Enquanto entidade representativa dos/as assistentes sociais, o conselho tem, nas ruas e nas lutas, enfrentado o cenário de recrudescimento e conservadorismo que cresce, defendido a democracia e as políticas públicas”, completou, reforçando a importância de também defender este modelo de sociedade junto ao usuário da política, buscando não apenas viabilizar seus direitos sociais, mas empoderá-los.

Para a pós doutora em Serviço Social, pesquisadora e professora da PUC/SP, Dirce Koga, o tema da Semana do/a Assistente Social deste ano – a resistência - veio ao encontro do contexto em que se encontra o país. “Antes de tudo, nós, assistentes sociais somos classe trabalhadora e estamos passando, por isto mesmo, momentos desafiadores, como o aprofundamento da precariedade nas nossas condições de trabalho. Por isso, ao lado dos demais trabalhadores brasileiros, nós precisamos resistir enfrentar e, apesar de tudo, continuar lutando pelos nossos direitos e pelos direitos de todos os trabalhadores”

Ela destacou que os/as assistentes sociais, atuam diretamente junto a outros trabalhadores e trabalhadoras no seu fazer profissional. “Somos uma classe que normalmente lida com situações de vulnerabilidade. Mas o que eu tenho visto é que temos muito a aprender com estes que, por vezes consideramos vulneráveis, mas que antes de serem vulneráveis, são resistentes, pois apesar da vulnerabilidade, continuam sobrevivendo e lutando”, avaliou.

A assistente social, presidente da FETAM Sergipe e dirigente da CUT/SE, Itanamara Guedes, destacou o caráter aguerrido da categoria, que nunca se furtou de estar nas ruas e na luta em defesa não apenas da profissão, mas das lutas coletivas. “É muito importante saber que estamos do lado certo da história, que a nossa profissão tem lado, que temos bandeiras de luta que são pautadas pelo nosso projeto ético-politico e pelo nosso código de ética. Bandeiras de luta que nos levam a defender a democracia, a liberdade, o conjunto das políticas públicas e os direitos humanos, em tempos de crescimento de fascismo e do conservadorismo”, destacou.

Josiane Soares, presidente do CFESS, apontou que este cenário de desafios ainda está em disputa na sociedade. “Neste período, a classe trabalhadora tem reagido e apostado da reunificação das lutas coletivas. Exemplo são os inúmeros atos realizados ao longo do ano passado em todo o país”, disse destacando dois importantes recuos do governo ilegítimo de Temer devido à pressão da organização popular: o adiamento da votação da reforma da previdência e a redução do corte de orçamento do SUAS de 98% para cerca de 50%.

Cultural

Mais do que o importante debate sobre estratégias de enfrentamento ao difícil cenário posto, a data foi marcada pelo encontro e a confraternização de assistentes sociais.

O CRESS Sergipe ofereceu um café da manhã para recepcionar os assistentes sociais no seu dia. Ao vivo, a dupla Francis e Lorena embalou ao som da voz e do violão. Para receber o público dentro do auditório, mais apresentação cultural: o coral do Ministério Público Estadual emocionou os presentes com interpretações de clássicos da Música Popular Brasileira.

Por Débora Melo

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