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Professora diz que 90% dos animais não têm condições de puxar carroças

14 de Março de 2018, 10:54

 

Por Danilo Cardoso

A professora do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Dr. Paula Gomes Rodrigues, foi a palestrante da Tribuna Livre desta terça-feira, 13, na Câmara Municipal de Aracaju (CMA) levando para o Plenário o tema ‘Caracterização Morfometrias de Equinos de Carroças do Município de Aracaju’.

O estudo elaborado pela docente em sua tese de doutorado foi voltado para os animais usados para puxarem carroças nas vias públicas da cidade, para isso, a doutora analisou cientificamente os equinos sob custódia do Centro de Apreensão de Animais da Emsurb, localizado no Bairro 18 do Forte, além de visitar diversas lojas de materiais de construção.

Fazendo uma explicação sobre a estrutura física dos animais estudados em Aracaju, a doutora em Zootecnia revelou estatisticamente que apenas 10% dos animais analisados possuem capacidade de puxar carroças, deste, 75% tem lordose e 100% dos cavalos examinados são para cela e não para tração. “Animais para tração possuem quase dois metros de altura e um tonelada de peso”, revelou Dr. Paula.

Ainda segundo os estudos, os animais examinados são em sua maioria fêmeas e possuem peso médio de 300 quilos, alguns chegando a pesar cerca de 200 quilos. “Os cavalos utilizados em vaquejadas possuem entre 450 a 500 quilos, mostrando que os animais usados para puxar carroças são magros, não possuem local adequados para descanso, andam em asfalto quente e não possuem boas condições de bem estar”, finalizou a estudiosa.

Apartes

Diante da revelação feita pela professora, a vereadora Kitty Lima (Rede) revelou que apresentará um Projeto de Lei para o fim gradativo das carroças em Aracaju. “Trouxemos uma pessoa capacitada para dizer que os cavalos não têm condições de trabalhar, esta iniciativa é para que vocês entendam a importância do projeto do fim gradativo das carroças, que será um momento histórico para a cidade. Vamos nos unir para que este projeto possa trazer benefícios para a população e para os carroceiros”.

O vereador Isac Silveira (PCdoB) afirmou que será favorável ao fim das carroças caso o projeto apresenta uma alternativa plausível para inserir os carroceiros no mercado de trabalho. “Temos a convicção que temos que sanar esta problemática, mais que não é um ato fácil e tranquilo. Temos uma categoria profissional que possui reconhecimento na Legislação Trabalhista e no Projeto da vereadora Kitty Lima não consegui enxergar como estes carroceiros serão inseridos no mercado de trabalho. Queremos que as carroças parem de circular nas ruas, mas só queremos quando houver uma garantia jurídica para isso, como por exemplo de uma linha de crédito”.

Destacando a importância do tema, o vereador Américo de Deus (Rede) comentou a importância do Projeto. “Muita gente não tem noção da dor que estes animais sofrem. Temos que sair da inércia e iniciar este debate ampliado com planejamento. Estamos colocando alternativas para os carroceiros e o Poder Executivo busque maneiras e cursos para estes profissionais. É melhor ter 10% de alguma coisa do que 100% de nada”.

Se colocando a disposição da vereadora Kitty Lima para contribuir na construção do Projeto, o vereador Jason Neto (PDT) afirmou que é um amante dos animais. “Identifico-me muito com este Projeto pelo amor que tenho pelos animais, às vezes somos indagados por parte ignorante da população que falam que nos preocupamos demais com os animais em vez de nos preocupar com as pessoas. Tenho certeza que se o poder público tiver boa vontade tudo se resolve”.

A vereadora Emília Corrêa (Patriota) destacou que para o Projeto de Lei dar certo terá que trabalhar cuidadosamente o lado social dos carroceiros. “É muito importante que o lado humano do trabalhador, junto com a família, seja trabalhado para contemplar todos. Temos que trabalhar direito porque este poderá ser mais um Projeto que não vai sair do papel e os benefícios não chegarão às famílias. Como sou defensora pública vejo muitos carroceiros com processos judiciais de pensão alimentícia e se eles perderem sua fonte de renda, como poderão alimentar as famílias”, questionou a parlamentar.

Foto César de Oliveira

 

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