Aumento de suicídios entre gestantes pode ser evitado

24 de Setembro de 2020, 14:50

Cuidados psíquicos, respeito e orientação podem reverter o quadro depressivo

A saúde mental pode ser alterada por estresse ou por situações mais graves. Nas mulheres gestantes, o efeito pode ser bem maior. No caso de pacientes com histórico de tentativa de suicídio, deve-se redobrar a atenção, uma vez que, o agravamento dos sintomas já existentes pode ser potencializado em virtude da pandemia.

O doutor em Psicologia e professor da da UNINASSAU - Centro Universitário Maurício de Nassau Aracaju, Diego Cardoso, explica que o uso de álcool e outras drogas, além da violência doméstica, podem levar mulheres gestantes ao descontrole emocional e até ao suicídio. "O isolamento e a distância do trabalho, dos amigos e da família, pode também agravar o quadro de quem já sofre com algum distúrbio emocional. Essas pessoas, que já têm problemas psicológicos, como a depressão, pioram com a solidão", diz o psicólogo.

Diego ressalta a urgência em adotar medidas que ajudem a prevenir essa situação, principalmente durante o Setembro Amarelo, mês dedicado a luta contra o suicídio. "Nesse momento, há um agravante, no campo da maternidade, que é o medo e as dúvidas em relação ao coronavírus. Para reduzir os riscos de contágio à mãe e ao bebê, algumas medidas foram tomadas nas maternidades, como a suspensão de visitas e acompanhantes, o que vem contribuindo para essas alterações emocionais nas gestantes nesse período", esclarece Diego.

Sinais

O psicólogo observa que as famílias precisam estar atentas aos sinais de depressão, que podem levar mulheres ao suicídio. Ele explica que a falta do convívio social e a ansiedade tendem a aumentar durante a gravidez. "Resultados de um estudo realizado no Canadá, indicam níveis altos desses sintomas, gerando transtornos mentais na gravidez, que impactam, não só na futura mãe, mas também no seu bebê", alerta.

Ajuda - Diego observa que ajudar essas mulheres é reconhecer e acolher os receios e medos dessas pessoas, buscando passar orientações acerca de estratégias de cuidados psíquicos em situações de crise, como por exemplo, manter ativa a rede socioafetiva, estabelecendo contato, mesmo que virtual, com familiares, amigos e colegas", conclui o psicólogo.

Da assessoria

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