siga nossas
redes sociais:
FacebookTwitter

Como uma eleição pode influenciar na Epidemia do HIV?

30 de Novembro de 2018, 05:45

*Dr. Almir Santana

Quando  vamos à urna votar em alguém, seja na esfera federal, estadual ou municipal, estaremos fazendo escolhas que poderão influenciar na política de enfrentamento a Epidemia do HIV no país, no estado ou no município.

Votando no presidente de um país, no governador de um estado ou no prefeito de uma cidade, serão eles que irão escolher o seu ministro da saúde ou seu secretário de saúde, seja estadual ou municipal. Ai é onde mora o perigo, pois, a depender do que pensa o gestor federal, estadual ou municipal, com relação à AIDS, a Epidemia do HIV será encarada com seriedade ou será mais uma doença negligenciada.

Vivenciei um exemplo em outro país: na década de 80, estive no Uruguai para proferir uma palestra, representando o Brasil, num evento local. Na época, o Ministro da Saúde do Uruguai era extremamente religioso e proibia falar de preservativo nas campanhas educativas. Fui convidado para a uma entrevista numa emissora local (Rádio Monte Carlo) e tive que falar na madrugada por causa do tema, já que sabiam que eu iria falar de camisinha ( condon ). Um cartaz de uma campanha feita pelo governo Uruguaio trazia uma imagem de uma maçã “mordida” relacionando a AIDS com o pecado. Sabem o que resultou desta campanha? As pessoas diminuíram o consumo de maçã, achando que iam contrair o HIV comendo maçã.

A política de tratamento e prevenção do HIV adotada por um país, por um estado ou município, é um fator determinante da maneira como esse vírus se dissemina em sua população e, como consequência, da mortalidade encontrada nele por complicações da AIDS.

Um exemplo que tragicamente demonstrou ao mundo que essa afirmação é verdadeira foi à eleição do presidente Thabo Mbeki, em 1999 na África do Sul, que por convicções pessoais, acreditava que o HIV não era o agente causador da doença AIDS, e sim fatores sociais, como pobreza, desnutrição, o uso de álcool e outras drogas. No seu raciocínio, para vencer a AIDS, não precisava de medicamentos antirretrovirais e bastava apenas combater as desigualdades sociais. Nesta fase, a epidemia do HIV teve um crescimento assustador. O posicionamento do presidente foi bastante contestado pelas autoridades de saúde mundiais e por parte da população sul-africana. 

No Brasil, estamos no momento de mudanças de Presidente da República e de Governadores dos Estados. Precisamos alertar com relação à importância da continuidade e ampliação das ações de prevenção ao HIV e da aquisição de medicamentos antirretrovirais. 

Certamente que, se o futuro Ministro da Saúde escolhido para comandar os destinos da saúde do Brasil e os Secretários de Saúde dos Estados, apresentar uma visão equivocada e até preconceituosa com relação a AIDS e com relação às pessoas vivendo com HIV/AIDS, poderemos uma situação grave como aconteceu na África do Sul, no ano de 1.999.

Portanto, as nossas escolhas políticas poderão influenciar positiva ou negativamente no enfrentamento à Epidemia do HIV.

*Almir Santana, Médico Sanitarista e Ativista da Luta Contra a AIDS em Sergipe.

  • Medium 937ae515e7bacba14f46b562c4bc48ed