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Tribuna Livre debate situação dos pacientes renais crônicos

06 de Março de 2018, 14:03

Por Fernanda Sales

 Na manhã desta terça-feira, 6, foi realizada durante a 7ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Aracaju (CMA) uma Tribuna Livre para falar sobre a atual situação do atendimento aos pacientes renais crônicos da cidade de Aracaju. A palestra foi realizada pelo presidente da Associação dos Renais Crônicos e Transplantados de Sergipe (Arcrese), José Lúcio Alves Costa, que apresentou aos parlamentares dados importantes sobre o atendimento e a falta de assistência aos pacientes renais crônicos.

De acordo com o presidente da Arcrese, a negligência das autoridades gera sérios problemas para os pacientes que são desassistidos. “Quando um paciente recebe um diagnóstico de doença renal é como se recebesse uma sentença de morte. O governo federal, estadual e municipal tem que assumir a responsabilidade de cuidar dos pacientes. Porque como diz a Constituição brasileira, a saúde é direito de todos e dever do Estado. Então o Estado precisa promover o cuidado com a saúde da população. Infelizmente fica um jogo de ‘empurra empurra’ e ninguém faz nada, todos fogem de suas responsabilidades. Destaco também a participação da sociedade na gestão pública, para fiscalizar as ações da administração. É preciso acompanhar todo o trabalho que é feito pelos gestores da Saúde Pública, que deixa muito a desejar”, enfatizou.

Durante seu discurso, o palestrante apresentou dados sobre o quantitativo de renais crônicos em Sergipe, enfatizando que atualmente há aproximadamente 1,2 mil pacientes renais crônicos em 5 clínicas de Sergipe, em Itabaiana e pacientes internados no HUSE. “Em 2016 foram atendidos pelo CASE 2.401 pacientes renais crônicos e apesar de insistentes solicitações, nunca fomos informados sobre os custos com Tratamentos Fora de Domicílio (TFD) de 2016”, disse.

Na ocasião, o presidente da Arcrese também apresentou os problemas, dificuldades e entraves enfrentados pelos renais em Sergipe. “O paciente renal é um paciente vulnerável, tem a imunidade baixa e já houve pacientes que com quatro dias internados morreram de infecção hospitalar. Infelizmente, o maior problema está em vagas nas Clínicas de Hemodiálise e na falta de medicamentos. Outro problema enfrentado é com relação à diária de ajuda de custo paga pelo TFD, que é apenas R$24,75. Com esse mínimo valor não dá para uma pessoa que precisa buscar tratamento sobreviver, pois muitos vão até em outros estados em busca de tratamentos”, explicou o presidente, que destacou ainda que são 120 milhões de recursos para transplante em Sergipe, mas desde 2012 não se realiza mais transplantes renais no estado.

José Lúcio também falou sobre o Hiperparatireoidismo Secundário, doença que atinge os pacientes renais, e exibiu imagens de paciente com esta doença. “Essa doença também é grave, pois perde a massa óssea da pessoa, é uma degradação óssea. Ela deforma as pessoas, que ficam deprimidas, sem vida social, sem vontade de viver, com vergonha das pessoas”, finalizou.

Vereadores

Os vereadores de Aracaju se mostraram solidários a esta causa e questionaram qual a melhor forma para ajudar a resolver os problemas dos pacientes renais. Isac Silveira (PCdoB) perguntou como esta situação pode ser resolvida. “Sempre questiono porque tem tanta dificuldade no município e estado para tratar os pacientes renais. A secretaria diz que não tem transplante porque não tem clínica suficiente para receber esses pacientes e não há equipes para fazer transplantes. São várias pessoas sofrendo e que estão fadadas a fazer o tratamento até o fim de seus dias. Queria entender qual a ação que nós como vereadores podemos fazer para ajudar esses pacientes, estou me sentindo com as mãos atadas porque quero contribuir mas não sei como”.

Anderson de Tuca (PTRB) também perguntou como ele pode ajudar como parlamentar. “Quero saber de que forma nós como parlamentares podemos ajudar essas pessoas que vivem essa realidade triste e sofredora. A diária realmente é insignificante, 24 reais não é nada para essas pessoas que precisam de ajuda, o acompanhante também precisa receber essa diária, porque o paciente nunca vai sozinho para esses tratamentos. Queria ajudar de alguma forma, com algum projeto, com mais cobrança ao governo e secretários de saúde”, afirmou.

“Estou aqui para me somar com todos os renais crônicos de Sergipe. Parabenizo Elber Batalha por solicitar esta tribuna livre. Sou presidente da Comissão de Saúde deste parlamento e sei a importância de debater sobre esses temas. Esta situação é um descaso à saúde público do estado. Coloco meu mandato e a comissão de saúde à disposição para ajudar e defender os direitos dessas pessoas”, falou o vereador Seu Marcos (PHS).

Já o parlamentar Iran Barbosa (PT) parabenizou a apresentação do palestrante e destacou que os recursos financeiros também são problemas. “Tive familiares e amigos que já morreram ou que estão na fila de espera para fazer transplantes por problemas renais. Isso é algo muito sério. Eu acho que o recurso não é o maior problema, mas ainda é um problema sim. Se não tem profissionais porque o preço para este trabalho não é atrativo, então há uma desvalorização profissional e isso precisa ser mudado, há um problema de recurso neste caso. Também queria saber sobre as causas para essa doença, pois eu observo que as indústrias alimentícias são as principais culpadas por doenças renais, porque empurram alimentos industrializadas nas pessoas e não há fiscalização sobre isso”.

Segundo Elber Batalha (PSB), que é autor da solicitação desta Tribuna, é preciso que todos olhem com atenção para a Acrese, que também precisa de ajuda financeira. “São valores ínfimos que fazem a diferença. Qualquer tipo de ajuda é bem-vinda, de qualquer pessoa. A Acrese tem uma sede que precisa de ajuda para equipamentos, para melhorar a infraestrutura. As pessoa se submetem ao transplante, e há remédios que tem que ser tomado sempre, senão perde o rim transplantado e, infelizmente, está faltando o medicamento no Case, nem com decisão judicial os pacientes estão recebendo o medicamento. Eu tenho uma irmã que é médica e diz que existem várias doenças que são piores que Aids e alguns tipos de câncer, um delas é a doença renal. Agradeço a todos por estarmos hoje debatendo esse tema tão importante para a sociedade”, finalizou.

Foto: César de Oliveira

 

 

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